sexta-feira, 31 de julho de 2009

todas as minhas tentativas de distracção, tinham sido em vão

Hoje o telefone tocou às 9:50h, mas eu pensei que fosse do sonho que eu não estava a ter. Quando me apercebi da realidade, dei um pulo da cama e corri pelas escadas até chegar ao escritório. Assim que ia para lhe pegar, desligou-se. Voltei para cima, e de seguida tocou o meu telemóvel. Era a minha mãe a dizer-me que dentro de mais ou menos meia hora tinha de estar em casa da minha avó. Despachei-me a correr, vesti uma roupa fresquinha e fiz a cama. Tomei o pequeno almoço à preça, e enfiei o livro que ando a ler e 10€ dentro de uma mala. Também coloquei a máquina fotográfica lá dentro com esperança de captar alguma coisa de especial, como se fosse a primeira vez que por lá passasse. Desci as escadas para a garagem e abri o portão. Meti-me a caminho. O ventro soprava levemente e a brisa suave tornava aquele momento um pouco melhor do que esperava. Caminhei, caminhei. Os meus pés andavam sem eu lhes dar sinal. Como se tivessem cabeça e pensassem sozinhos. Deixei-os seguir, e finalmente olhei para um lado e para o outro para me certificar que nenhum carro me passava por cima. Atravessei a estrada e fui cumprimentar os meus avós. Sentei-me na esplanada do café e esperei, esperei. A minha mãe não chegava. Abri o livro, li e li. Li páginas e páginas, e ela não chegava. Já passava das 11h, e eu lá sentada, à espera. Até que finalmente, chegou. Entrei para o autocarro enquanto me despedia dos meus avós. Parei mais à frente, pronta para sair. Atrás de mim seguiam muitas crianças, irritantes devo dizer. Subimos as escadas normais, sim porque aquela gente toda não podia subir pelas escadas rolantes. Sentei-me numa cadeira, era a única daquela fila. O filme começou e eu estava com um pacote de pipocas na mão. Ouvi várias gargalhadas durante o filme, e certas vezes era capaz de jurar que era a única que não me estava a rir. O filme acabou. Sentei-me de novo no autocarro, parei de novo na minha avó. Fui dar o sinal do meu regresso e deitei-me no sofá. Abri o livro. Depois almocei, sozinha. Levantei as coisas, e deitei-me de novo no sofá. O marcador de livros estava na página que eu o tinha deixado.Nenhuma mensagem, nenhum telefonema.Estranhamente o meu pai teve a ideia de regressarmos a casa mais cedo do que o normal. Ainda por cima tive de caminhar arduamente até casa de novo, o carro está na oficina. Não me apetecia nada voltar a casa por muito inacreditável que pareça. Talvez porque não haveria nada para fazer, ninguém há minha espera, ninguém com quem eu falar. O caminho parecia mais longo que nunca. Mesmo muito longo. O meu pai falava e eu sorria como se estivesse a prestar alguma atenção ao que ele dizia. Sorria, falsamente. Aquele calor ainda tornava mais dificil a caminhada curta, mas que se tornava tão longa. Ao longe via o sinal azul que indicava a presença de uma passadeira. Quanto mais andava, mais distante parecia estar dele. Andava, andava. Não havia maneira de chegar. Até que passou uma carrinha por mim, e fez-me acordar. Continuei a caminhar com o meu pai a meu lado. Assim que atravessava a minha rua vi que uma das vivendas estava habitada e eu nunca tinha dado por isso. Notava-se que não eram pessoas que moravam lá recentemente; havia cortinados em todas as janelas e os parapeitos estavam decorados da parte de dentro. Segui, até passar a casa do vizinho do lado. Assim que me vi dentro da minha, arranjei uma sombra para que o meu pai abrisse o portão e desligasse o alarme. O barulho irritante parou, entrei, sentei-me e abri o livro novamente. Não liguei o computador a tarde toda, sabia que não iria encontrar quem queria, quem precisava. As horas passaram lentamente, tal como esperava. Esta termenda distância estava a dar cabo de mim. Aliás, ainda está. Vou desligar o computador e reiniciar a minha leitura. Pode ser que encontre alguma palavra que me reconforte.




Estado: pior que ontem, melhor que amanhã.

6 comentários:

  1. já sabes o que acho sobre este texto :)
    está maravilhoso. ainda bem que seguiste o que te disse.

    um beijinho, e parabéns tens jeito.

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  2. texto de ontem, mas o que conta é a intenção :)

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  3. eu disse que ia comentar, todos de inicio, e aqui estou!
    vais ter muitos xP

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