
Estava tão concentrada nas pedras da calçada, que ouvia o som dos meus passos a ecoar nos meus ouvidos. Estava tão afundada numa maré de pensamentos que não conseguia ouvir mais nada. Nem sequer o barulho da multidão. Apenas conseguia pensar e identificar os «toque-toques» que os meus pés faziam ao tocar no chão. Só isso.Apercebi-me da realidade, quando uma criança se atirou à água e os pingos que saltaram me salpicaram toda.Aí tudo voltou ao normal.Ouvia-se nitidamente as pessoas a falarem, a nadarem, a saltarem. Ouvia-se o que eu pensava que tinha desaparecido. Mas não, estava tudo ali. Como se estivesse estado lá sempre.